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VENOM: o precursor do Black Metal que influenciou a maioria das bandas nos anos 80, como: Destruction, Exodus, Kreator, Metallica e Napalm Death. Essa é uma entrevista exclusiva concedida à Thrashing Rage Magazine, há quase 20 anos atrás(!). Nesse relato, Cronos, Mantas e Abaddon, que juntos respondem por VENOM, expõem suas idéias a respeito de atos como: Mercyful Fate e Kiss, além de comentar sobre suas concepções e as devastadoras e 'bombásticas' performances do grupo.
O seguinte diálogo é um profundo tributo aos 'pais' do Metal extremo.

Tradução de Adriana Silva.

Cronos, Mantas, Abaddon... VENOM, trio infernal de Newcastle (Inglaterra), que trouxe uma nova dimensão ao Heavy Metal no início dos anos 80. Eles simplesmente criaram o gênero Black Metal juntamente com o BATHORY e o CELTIC FROST. Nesses tempos imortais, as legiões do VENOM deixaram verdadeiros clássicos: "Welcome to hell", "Black metal" e "At war with Satan".

Por que vocês não tocaram no Dutch Aardschok festival?

Abaddon: Porque o nosso material de show ficou apreendido nos Estados Unidos. Ele esteve guardado lá há dois meses pela alfândega canadense.

Como explicar a inusitada situação?
Cronos: Em nossos shows há inúmeras explosões que são totalmente verdadeiros, nenhuma delas é falsa. As bombas, que carregamos nas turnês, deixam-nos em uma ambígua situação: nós somos vistos como terroristas ao invés de músicos.
Mantas: Os oficiais alfandegários pensaram que nós tínhamos em mente matar e destruir tudo; eles não puderam imaginar que nós apenas carregávamos isso para usar em nossas performances no palco.
Quantos shows vocês fizeram durante a recente passagem pelos Estados Unidos?
Cronos: Nós fizemos dois shows em New York, apesar de a princípio terem sido planejadas três datas. A última data foi cancelada porque o local do show era pequeno para suportar a nossa estrutura.
Mantas: Nós gostaríamos de ter tocado em West Coast com o METTALICA, que era a banda convidada nas duas datas, mas do ponto de vista financeiro, essa viagem custaria muito dinheiro.

É verdade que os seus shows causam grandes estragos?
Abaddon: Em New York, nós tocamos em um lugar muito velho e que realmente não estava equipado para suportar o som do Venom.
Mantas: Alguns locais foram um pouco estragados porque na mesma semana, JAGUAR, ANVIL, MANOWAR e BOW WOW estavam fazendo uma série de shows em comemoração ao Blitz Festival.
O Venom é uma banda que não faz muitas turnês, sendo assim vocês devem compor muito material...
Cronos: Rapidamente a banda se torna cansada durante uma turnê e você não consegue ser o destaque de toda noite. Desse modo, nós preferimos focalizar nossos esforços em poucas datas e assim, ninguém fica desapontado com a performance do Venom.
Mantas: Sobre as composições, eu posso contar a você que o terceiro álbum já está gravado em fita. O quarto trabalho já está próximo da finalização e nós já planejamos o lançamento de um álbum duplo ao vivo para comemorar o quinto lançamento do Venom. Além disso, há faixas que serão usadas em futuros singles.
Abaddon: Nós somos uma banda muito produtiva, por exemplo, a faixa "Buried Alived" foi composta quando ainda éramos um quinteto.

Vocês poderiam falar sobre esse episódio especial na história da banda?
Mantas: A experiência com cinco músicos não durou muito tempo, nós tínhamos idéias extremamente diferentes e que os outros não entendiam. Entretanto, o Venom tocou como um quarteto com um vocalista até o dia em que Cronos expressou o tom de sua voz infernal. Então, nós entendemos que o poderoso trio era a melhor formação possível para o Venom.
Cronos: Duas semanas depois, nós estávamos em estúdio para gravar nosso debut single. A princípio foi planejado que isso incluiria a faixa "Live Like An Angel", a música do segundo álbum "Angel Dust". E finalmente, ela foi usada em uma compilação lançada na época.

Como vocês conseguiram o contrato com o selo britânico Neat Records?
Mantas: Sem nenhuma intenção, nós demos uma demo-tape para um jornalista do 'Sounds', que não hesitou em incluir o Venom por três vezes em seu playlist das semanas seguintes. Essa inesperada chance facilitou para que nós entrássemos em contato com a Neat Records.
Abaddon: Eu gostaria de destacar que o Venom realmente não tem um contrato com essa gravadora. A banda está totalmente desligada da Neat Records. Cada um de nós conseguiu uma porcentagem sobre as vendas e nós fazemos o que quisermos com os royalties. Esse tipo de negociação nos deixa livre de qualquer obrigação contratual.
Mantas: O álbum financia alguns shows, os shows rendem dinheiro para os singles e os singles pagam a gravação do álbum. Isso é um tipo de círculo vicioso que nos ajuda a viver de forma independente.

Quando será lançado o terceiro álbum?
Mantas: Não será antes de 1984, nós estamos esperando por esse ano, pois Nostradamus preveu o fim do mundo. Se a terra acabará para sempre, nós queremos ser parte dessa massa destrutiva!
Cronos: O novo álbum será intitulado "At War With Satan" e nós tentamos criar uma atmosfera especial enquanto que permanecem os riffs rápidos como um se fossem um 'link' aos lançamentos anteriores.

Tem sido anunciado que o MANOWAR e o ROCK GODDESS seriam as bandas convidadas para os seus próximos shows na Inglaterra e na Holanda?
Abaddon: Sim, o Manowar conosco no palco e o Rock Goddess nos bastidores.
Cronos: Eu ouvi que Tracey teve alguns problemas, eu a convidei para vir e me visitar, eu tenho as habilidades necessárias para fazê-la vencer.

A música do Venom é profundamente anti-comercial, e esse fato gera algum tipo de preconceito para a sua aceitação nos Estados Unidos?
Mantas: Não, porque nós somos amplamente divulgados nos programas de rádios em Los Angeles, New York, Califórnia e especialmente no Canadá, onde o Venom é muito popular.
Cronos: Temos ouvido que nós fomos o mais vendido em termos de Heavy Metal estrangeiro nos Estados Unidos.
Abaddon: As 'crianças' americanas estão desapontadas com todos aqueles músicos 'porcarias' que invadem os programas de rádio e na maioria das vezes, suas performances ao vivo são incapazes de criar algum tipo de loucura.

Falando sobre os shows, como vocês descrevem a perfomance realizada pela legião do Venom?
Cronos: É importante entender que um show do Venom não tem nada a ver com um show comum. Ele é um evento, uma experiência, um fenômeno, algo que você nunca mais vai esquecer.
Abaddon: O nosso show tem uma intensidade incomum: as bombas, a fumaça, a própria música e a nossa fúria criam um mundo de horror em três dimensões.
Mantas: Além desse poder maléfico, nós fomos bem sucedidos ao criar um tipo de suspense que tira o fôlego das 'crianças'.
O show do Venom é diabólico, de outro mundo, e vocês freqüentemente são comparados ao KISS...
Abaddon: Nós não gostamos do Kiss, nós não tocamos igual à eles. O show do Venom é uma viagem aos sete portões do inferno e não um disfarce.
Mantas: Nós usamos explosões reais e não bombas fajutas. No começo do show, o estampido é tão alto que o público atemorizado se joga no chão!
Cronos: Com o dinheiro arrecadado nas vendas do álbum "Black Metal", nós pensamos em acrescentar novos efeitos nos shows. Mas, as 'crianças' devem estar certas de que nós nunca vestiremos aquelas fantasias ridículas como as do Kiss que os impedem de se locomover no palco.

A letra por trás da música "Teacher's Pet" relata uma história verdadeira?
Mantas: Não, ao contrário, ela é como um fantasma, os professores às vezes não percebem que têm gestos muito provocantes. Mais de uma vez, eu sonhei com isso, mais precisamente quando eu era apenas uma criança.

A pausa no meio da música soa como uma passagem melancólica e traz uma dimensão estranha...
Mantas: Isso foi apenas para diversão, quando nós tocamos "Teacher's Pet" no palco, nós incluímos "Poison" justamente no meio da música e então, nós terminamos com a segunda parte de "Teacher's Pet".

O MERCYFUL FATE fez ataques direto ao Venom em uma recente entrevista concedida à revista inglesa 'Kerrang!'. Como vocês vêem isso?
Cronos: Eu tenho a impressão que os membros por trás do Mercyful Fate se consideram as estrelas do Rock, o que dão a eles o direito de criticar outros músicos. O Venom está apto para aceitar a competição, mas sem desrespeito!
Abaddon: Eles vêem o Satanismo como uma religião a ser seguida seriamente e nós preferimos ver o Satanismo como um conceito ou uma filosofia baseada na seguinte idéia: "Faça o que você deve fazer".

Vocês consideram Satã como o seu pai espiritual?
Cronos: Sim, Venom é a banda mais poderosa do mundo, Satã é a força mais devastadora que alguém pode imaginar. E combinando ambas as forças, nós traremos o fim desta era de mediocridade.

DISCOGRAFIA:
Welcome To Hell (1981)
Black Metal (1982)
At War With Satan (1983)
Possessed (1985)
American Assault EP (1985)
Canadian Assault EP (1985)
French Assault EP (1986)
The Singles 1980-1986 (1986)
Calm Before the Storm (1987)
Eine Kleine Nachtmusik (1987)
Prime Evil (1989)
Tear Your Soul Apart EP (1990)
Temples of Ice (1991)
The Book Of Armageddon (Best Of) (1992)
The Waste Lands (1992)
Kissing the Beast (1993)
Skeletons in the Closet (1993)
Old, New, Borrowed and Blue (1994)
Venom '96 (1996)
Cast in Stone (1997)
Resurrection (2000)


*Créditos:

Entrevista com Cronos (baixo e vocal), Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria), realizado em 1984 e publicado na Thrashing Rage Magazine edição 19 em 2003.